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Também disponível: percurso com indicação e desníveis e fotografias georeferenciadas para Google Earth; marcação de percurso em GPS para download
A Rota dos Caleiros é um percurso fácil, de pouco esforço físico, mas nem por isso menos bonito do que os restantes percursos pedestres da zona do Caramulo. Pleno de granito, em formas curiosas que chegam a desafiar a imaginação, tem início no mítico Caramulinho, cujo vértice (não visitado no trajecto, felizmente) é o ponto mais alto das redondezas.
Para ali se chegar, desde a localidade do Caramulo, há que percorrer um pouco mais de quatro quilómetros de estrada, subindo um pouco... é alcatrão, e talvez por isso constitua surpresa e admiração um encontro com um carro de bois, carregado de pasto "à moda antiga" e guiado por mão sábia e usada. Logo atrás, a "patroa" recusa a fotografia: "deixe lá isso para as minhas vaquinhas, que elas é que são bonitas"!
O Caramulinho... lá no alto, um miradouro cuja paisagem deve valer bem a pena os muitos degraus e não só que a subida exige... No sopé, uns quadros explicativos da Rota dos Caleiros, assim como da fauna e da flora que por ali se podem ver.
Comece-se o caminho... Estradão de terra, largo e plano, que permite o fácil trânsito de jipes, se não mesmo de automóveis normais. Encontram-se as primeiras formações rochosas na forma de "calhaus" aleatoriamente colocados mas dispostas em montículos, qual arrumação por mão humana. De quando em vez distinguem-se, ao longe ou nem por isso, campos de cultivo ou simplesmente de pasto; com um pouco de atenção distinguem-se mesmo os animais, bovinos, que dos mesmos fazem a sua sala de jantar.
Segue o caminho descendo um pouco e os olhos desviam-se para os lados na observação das "pedras": cada uma é uma atracção especial e encavalita-se em outra, mais especial ainda. Na linha de horizonte, o recorte a preto e branco salienta ainda mais as formas.
Altera-se agora o piso passando da terra batida para um chão feito de pedra quase plana, ladeada de vegetação silvestre. Inesperadamente, o caminho alarga, torna-se "redondo" e surge uma autêntica praça natural, com um monumento ao centro, ele próprio de natural e intempestiva rocha. No solo encontram-se algumas marcas das rodas de antigos carros e, em grande parte, encontra-se coberto de vegetação árida e seca. De mão humana apenas se encontram baixos muros de pedra miúda e escura que denuncia longínqua nascença.
Autênticas esculturas se sucedem à vista e aos pés... embora algumas possam não ser tão naturais. O caminho vai alternando entre a rocha e a terra batida, vindo a terminar, na forma de calçada romana, na estrada alcatroada que procede de Malpalhão. Durante umas centenas de metros segue-se esta via, não deixando de se visitar mais uma placa explicativa que, por sinal, possui o "você está aqui" mal colocado...
Dali se sai para a direita, iniciando-se uma descida interessante que levará à aldeia de Jueus. O caminho não é fácil, pela irregularidade das pedras que compõem a velha calçada. Começam a ver-se os telhados do casario e ultrapassa-se um casebre, aparentemente já em ruínas. Com mais umas imagens, propositadamente incluindo um casal de caminhantes com quem se partilharam os últimos metros, atinge-se a aldeia.
À entrada, marca presença uma velha azenha, em cujo interior se podem ainda ver os utensílios outrora utilizados na moagem. Na vizinhança, casas tão típicas quanto rústicas na sua pedra irregular, compõem o quadro que fica completo com o agora descansado carro de bois.
Capela do Menino Jesus! Se por si só já constitui peça suficiente para admiração, a paisagem em volta dá-lhe melhor quadro, com o vale de Besteiros em destaque. Não tão longe, a calçada continua, serpenteando em "esses" consecutivos, curva após curva, segundo o relevo local.
Subindo um pouco atinge-se a anterior estrada onde se encontram duas pequenas capelas, uma das quais com alguns anos. Encontram-se mais umas curiosas e naturais formações rochosas e, num pequeno lugar, o ex-libris das mesmas, a conhecida "Pedra do Equilíbrio". O nome diz tudo...
Inicia-se agora a segunda parte do percurso, saindo para a esquerda da estrada, passando ao lado de uma casa de pedra limpa de há pouco. Um pequeno tanque coberto, logo ali, e umas curiosidades que incluem umas ruínas marcam o seguimento do caminho que leva, finalmente a um "caleiro". Este é, nada mais nada menos, do que um muro, no topo do qual existe um rego que outrora transportou água desde a serra ali perto.
O caminho é variado de piso: ora terra, ora laje granítica onde se vão descobrindo as marcas amarela e vermelha. Vislumbra-se um gerador eólico, não muito longe, e atravessa-se nova estrada, indo de encontro a um campo de cultura.
Se as calçadas anteriores já apresentavam alguma irregularidade, a que agora se encontra é completamente "torta". A minha companheira de duas rodas não permite a normal "pedalação" e eu prefiro continuar a pé. Melhor ainda, desculpo-me eu, dá para apreciar aquela zona verde que constitui a base do monte "Cabeça de Neve". A distância a Cadraço é curta e dá também para observar o pequeno casario.
A volta está a terminar... mais um pouco de calçada, com direito às marcas de rodas mais profundas das que havia encontrado, uma zona ascendente em terreno de monte no meio do pinheiral, e uma clareira onde se encontra um objecto estranho para o meio completam o ambiente...
Daqui em diante o pouco caminho restante será no alcatrão da estrada inicial, onde ocorreu o encontro com o carro puxado a bovinos, até se atingir novamente o Caramulinho e... aí terminará!
Com cerca de oito fáceis quilómetros, sem grandes desníveis, a Rota dos Caleiros mostra um Caramulo típico, nos seus pinhais, nas suas pedras, nas suas casas, e até mesmo na sua água... Merece ser percorrida por todos quantos apreciem a natureza em todo o seu esplendor...
Também disponível: percurso com indicação de desníveis e fotografias georeferenciadas para Google Earth; marcação de percurso em GPS para download
Mais informações em:
PR4
TND Rota dos Caleiros - Páginas do Município de Tondela
PR4
TND Rota dos Caleiros - Desdobrável
Outros percursos pedestres no Caramulo:
Pelo autor
Município
de Tondela