patus-esq patus-drt
RAI'D'a Lama 2009 (86 imagens)
Data: 15 de Fevereiro de 2009
Autor: A. Augusto de Sousa

Pressione sobre uma imagem para a obter com maiores dimensões.

Percurso com declives e fotografias geo-referenciadas também disponíveis para Google Earth.

Deram-lhe o nome? Agora aguentem-no!!!

Isso mesmo, o RAI'D'a Lama, com organização do Clube de BTT da Casa do Povo da Retorta e da Câmara Municipal de Vila do Conde, voltou a fazer jus ao nome. Não se poupando a esforços, a organização contratou, nos dias anteriores ao evento, quem lhe repusesse os atributos sujos e viscosos, por via da muita água adicionada: um tal de Pedro... S. Pedro, dizem...

Foi no dia 15 de Fevereiro e o sol raiava, em contraste com a intensa pluviosidade de uns dias antes. Junto ao coreto do jardim da Retorta, a mesa de registo atraía gente e esta era muita... Os cumprimentos da praxe, bicicletas de sobra, até pelo chão, amigos, clubes vizinhos e não só, e a partida preparava-se, sob o arco imponente da meta... "Está tudo pronto? Hum... esperem lá, o que é que está a dizer aquele senhor ali no coreto, com o microfone na mão? Hum... ai é para o outro lado que se vai?" Instala-se a confusão, bicicletas e pessoas a rodar, "afinal para onde é?" pairam as sombras de edições anteriores em sentido inverso, "agora é ao contrário?", junta-se a frente de corrida junto ao carro da organização e pronto, lá se faz a partida simbólica daqueles quase quinhentos participantes que arrancam atrás da tal viatura, até se atingirem os trilhos onde a partida lançada se faria.

thumbnails/15_02_2009_09_13_46.jpg thumbnails/15_02_2009_09_15_32.jpg thumbnails/15_02_2009_09_15_49.jpg thumbnails/15_02_2009_09_16_10.jpg thumbnails/15_02_2009_09_23_02.jpg thumbnails/15_02_2009_09_23_24.jpg thumbnails/15_02_2009_09_24_01.jpg thumbnails/15_02_2009_09_24_15.jpg thumbnails/15_02_2009_09_36_34.jpg thumbnails/15_02_2009_09_39_42.jpg thumbnails/15_02_2009_09_40_02.jpg thumbnails/15_02_2009_09_40_25.jpg thumbnails/15_02_2009_09_46_41.jpg thumbnails/15_02_2009_09_46_55.jpg thumbnails/15_02_2009_09_48_25.jpg

O estradão não é largo, há quem queira avançar mas não pode, soam os risos mas a coisa vai... e começam logo a sentir-se as ameaças da marca do dia: a lama aparece em todo o seu esplendor! Ameaçam as primeiras quedas, há quem não conheça bem a técnica de vencer o visco, mas há também quem mostre a prática de lhe fugir quanto pode... pelo lado, relvado e fofo... (bela visão, por sinal, com o relvado a ser marcado, ao fundo, por uma bela fila de ciclistas!).

"E agora como é que eu passo isto? Mas afinal é para andar a pé?" O alto talude e a vala profunda que se lhe seguia obrigavam aqui à marcação de umas boas pegadas para a posteridade e entrava-se na estrada principal, alcatroada, onde uma boa fila de quatro rodas esperava a looonga fila de duas... Por aqui haveria de cruzar-se o Rio Ave, na ponte nova, dado que a velha ponte românica de D. Zameiro se encontra ainda e há vários anos, intransitável devido a aluimento parcial!

thumbnails/15_02_2009_09_51_07.jpg thumbnails/15_02_2009_09_51_20.jpg thumbnails/15_02_2009_09_52_23.jpg thumbnails/15_02_2009_09_56_33.jpg thumbnails/15_02_2009_09_56_41.jpg thumbnails/15_02_2009_09_57_05.jpg thumbnails/15_02_2009_09_58_40.jpg thumbnails/15_02_2009_10_02_50.jpg thumbnails/15_02_2009_10_02_54.jpg thumbnails/15_02_2009_10_03_37.jpg

Passadas que são umas estradas empedradas rurais, facilmente reconhecíveis pelos "perfumes naturais dos estrumes dos verdes prados", entra-se então numa zona de monte profundo. Estradão largo a facilitar o avanço, lama algo seca pelo sol entretanto chegado e a primeira subidinha dá ares de sua graça, não sem que antes tenha de se ultrapassar um ribeiro de água fria. O senhor fotógrafo profissional que ali estava elucidou-me quanto às minhas dúvidas de classificação na prova: "uuuuiiii... eu já fiz para aí umas setecentas fotografias..." Aaahhhh... pois...

Algures por terras de Ferreiró a bela avenida serve de montra a grandes árvores que, no verão, devem oferecer uma sobra impagável. A descida para o rio Ave iniciava-se então, com passagem por belas estradas típicas locais, com os seus altos e graníticos muros, cruzamentos com linhas de água e azenhas outrora produtoras da agora aclamada energia reciclável; mais lama, claro, olh'a novidade, e...

thumbnails/15_02_2009_10_09_01.jpg thumbnails/15_02_2009_10_13_28.jpg thumbnails/15_02_2009_10_14_59.jpg thumbnails/15_02_2009_10_19_49.jpg thumbnails/15_02_2009_10_22_22.jpg thumbnails/15_02_2009_10_23_49.jpg thumbnails/15_02_2009_10_27_16.jpg thumbnails/15_02_2009_10_30_42.jpg thumbnails/15_02_2009_10_32_23.jpg thumbnails/15_02_2009_10_38_17.jpg

...claro, o Ave, transbordando do seu leito, cria algumas dificuldades extra: o nível de água sobe acima dos eixos das rodas (de 26 polegadas, sim...), a lama é profunda e sem consistência, enterram-se as bicicletas, prendem-se as sapatilhas ao chão, soltam-se os risos com as tentativas de criação artística na forma de belas peças de "tombofilismo"... aquático... é "o" espectáculo!

Seguindo por trilhos entre matas de pinho e eucalipto, com alguns troços técnicos a alegrar as hostes, lá se vai fazendo o caminho, agora com uma tendência algo ascendente. Fazem-se uns metros de alcatrão, negoceia-se uma curva repentina à direita e pronto, volta a terra; as "piscinas" são sempre presentes, são oferta da casa para os voluntários tratamentos de pele, e a subida do dia ali estava... imponente e ameaçadora, com muito cascalho à mistura para complicar a "pedalação" e o equilíbrio; como se imagina, a "parede" mandou para o chão muitos pares de pezinhos caminhantes... e, de cima para baixo também se avalia, "olha um a subir em cima", é coisa rara de se ver por ali.

Do outro lado do monte a descida valia a pena: aumentava a velocidade, tornava necessário o uso de técnica, primeiro em monte, depois em meio campestre e, finalmente, em meio urbano... algures em Sapugal.

thumbnails/15_02_2009_10_44_18.jpg thumbnails/15_02_2009_10_45_21.jpg thumbnails/15_02_2009_10_55_08.jpg thumbnails/15_02_2009_10_56_14.jpg thumbnails/15_02_2009_11_04_29.jpg thumbnails/15_02_2009_11_06_54.jpg thumbnails/15_02_2009_11_11_07.jpg thumbnails/15_02_2009_11_11_18.jpg thumbnails/15_02_2009_11_24_09.jpg

Ena tanta gente parada! Vem mesmo a calhar, o ratito já se instalou no estômago e o descanso de minutos é merecido, já lá vai metade da prova! A zona de apoio para reforço alimentar é aqui, há sandes, bolos e fruta, barrinhas, água e eu sei lá o quê mais! Claro, a conversa é muita, o tema é de prever, as carinhas larocas posam as amizades, o tempo é curto, vamos embora que se faz tarde, lá à frente é para a esquerda, ora veja-se se não é!

thumbnails/15_02_2009_11_31_00.jpg thumbnails/15_02_2009_11_31_51.jpg thumbnails/15_02_2009_11_32_52.jpg thumbnails/15_02_2009_11_33_49.jpg thumbnails/15_02_2009_11_41_40.jpg

Repete-se a história anterior pelos estradões que se seguem. A excepção será talvez para a subida que se seguia, não tanto pela inclinação, nem por isso exagerada, mas mais pelo piso: pedra e laje irregular, piso escorregadio e algum cascalho à mistura obrigavam a uma concentração mais ou menos constante e a uma "respiração intensa"... Os lagos de água e lama eram já da família, a paisagem continuava verde estilo minhoto, e nem mesmo a travessia da auto-estrada quebraria este ritmo de ruralidade e pinhal. Adiante, perto de Casais, a segunda subida do dia obrigava a novo passeio "da" bicicleta e, mais campo menos muro, mais quilómetro, menos empeno, chega-se à localidade de Arcos.

thumbnails/15_02_2009_11_45_02.jpg thumbnails/15_02_2009_11_49_25.jpg thumbnails/15_02_2009_11_53_31.jpg thumbnails/15_02_2009_11_53_34.jpg thumbnails/15_02_2009_11_56_07.jpg thumbnails/15_02_2009_11_58_33.jpg thumbnails/15_02_2009_12_06_05.jpg thumbnails/15_02_2009_12_16_18.jpg thumbnails/15_02_2009_12_16_38.jpg thumbnails/15_02_2009_12_25_43.jpg thumbnails/15_02_2009_12_28_10.jpg thumbnails/15_02_2009_12_28_53.jpg

A ponte medieval de Arcos, sobre o rio Este, dignifica a passagem. Tal como a atrás referida de D. Zameiro, fazem parte do rico património histórico do Caminho Português de Santiago de Compostela. Por ali se encontram as célebres setinhas amarelas, mas não haveria que as seguir, logo a seguir à ponte. O meio ambiente anuncia pastos e não só, passando no entanto por vários lugares residenciais e grandes quintas.

Numa delas, o reencontro da das duas rodas da minha "Zulinha" com as suas velhas primas obreiras de moínho fez-se com alegria: já em 2004 a foto de família ficou para recordar esse belo momento mas, desta feita, a família aumentada pelos "três singelos zerinhos" do meu dorsal deu alma nova ao quadro...

E o rio Este, nas suas margens com recuperadas azenhas e casas de granito? Pára-se a "pedalação", puxa-se da máquina fotográfica e recolhem-se as que são talvez as mais singelas imagens deste percurso. A mistura do verde com o azul reflectido nas águas do rio, o contraste da luz solar com a sombra das árvores e muros, o musgo que cobre estes, e até mesmo a intervenção da mão humana nas cores fortes das pinturas das madeiras atraem os olhos, mesmo os cansados, e chamam ao descanso. Era Touguinhó, um pouco antes de Touguinha!

thumbnails/15_02_2009_12_32_51.jpg thumbnails/15_02_2009_12_40_44.jpg thumbnails/15_02_2009_12_47_56.jpg thumbnails/15_02_2009_12_48_02.jpg thumbnails/15_02_2009_12_50_45.jpg thumbnails/15_02_2009_12_50_56.jpg

Tempo ainda para mais uns trilhos, passagem no atraente centro de Argivai, e a última travessia do Ave acontecia pela peculiar ponte pedestre. A montante, ao escorrer por estreita passagem de um dique, o rio mostrava alguma força, contrastando com os (in?)felizes participantes do RAID a quem as forças já não chegavam.

"Ainda falta muito?" perguntava-me o meu jovem companheiro da ocasião... afinal era "já ali", depois da curta mas íngreme subida técnica que o final nos reservava ainda. Na meta já não havia história, classificação obtida a tanger as três centenas não dá nem sequer duas palmas, e vai de deitar no relvadinho suave, junto ao coreto que assim a vista gostou de rever...

thumbnails/15_02_2009_13_03_31.jpg thumbnails/15_02_2009_13_06_14.jpg thumbnails/15_02_2009_13_08_43.jpg thumbnails/15_02_2009_13_08_49.jpg thumbnails/15_02_2009_13_14_58.jpg thumbnails/15_02_2009_13_15_46.jpg thumbnails/15_02_2009_13_18_57.jpg thumbnails/15_02_2009_13_28_29.jpg thumbnails/15_02_2009_13_30_25.jpg

Depois... bem depois de um banhinho quente (a ameaçar não haver...) e de roupa lavada no corpo, foi a hora do alegre e são convívio no salão da Casa do Povo da Retorta, com entrega de lembranças a vencedores e sorteio.

thumbnails/15_02_2009_14_34_47.jpg thumbnails/15_02_2009_14_35_04.jpg thumbnails/15_02_2009_14_37_24.jpg thumbnails/15_02_2009_15_17_29.jpg thumbnails/15_02_2009_15_20_05.jpg thumbnails/15_02_2009_15_22_53.jpg thumbnails/15_02_2009_15_30_30.jpg thumbnails/15_02_2009_15_32_42.jpg thumbnails/15_02_2009_15_36_10.jpg thumbnails/15_02_2009_15_36_24.jpg

Uma palavra final assim tipo conclusão. Louvo os vencedores que, "qual motor" escondido nos seus quadros leves, terminaram o percurso estaria eu, possivelmente, a mastigar a barrita na zona de reforço alimentar. Quem os viu os reconhecerá, com certeza, quanto a mim... nem saberia a sua cor, não fora o improvisado podium final... fixe-se um nome, José Rodrigues...

Quanto ao percurso... foram quase cinquenta quilómetros em duas rodas com força motriz humana, a puxar mais para o lado do "Lodo-o-terreno"; valeram bem os poucos euros despendidos, pela paisagem, pela camaradagem, alegria e no fim, claro, pelo bom empeno que as regras do bom BTTista mandam! Um obrigado sentido à organização que mais uma vez esteve no seu melhor e com direito a um empeno ainda maior do que o meu!

Já vai longo o relato, quase mais logo do que o passeio, aproveite-se portanto o mote para uma despedida que, como de costume será,

Adeus e até ao próximo empeno!

A. Augusto de Sousa

Percurso com declives e fotografias geo-referenciadas também disponíveis para Google Earth.


A. Augusto de Sousa