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Os Patus Bravus, a chuva, e S. Pedro... da Cova
Data: 18 de Janeiro de 2009
Autor: A. Augusto de Sousa

Percurso com variação de altimetrina para o Google Earth também disponível

Caru S. Pedru,
 
Não sei se sabes, mas aqui por estas bandas do grande Porto, há um grupo de BTTistas que dá pelo nome de Patus Bravus. Nota que são Patus e portanto gostam de água; nota que são Bravus, e portanto não há nada que os apoquente a não ser, talvez e à semelhança de uns certos Gauleses, que o céu lhes caia em cima da cab... do capacete!
 
Das tuas especiarias que eles mais gostam são as manhãs chuvosas de Domingo. Sair de casa, por quente a mais que era a cama; vestir a roupinha de licra, coberta com o adequado impermeável; enfrentar a água cadente, a pedalar; os picos na cara, o frio nas pernas... são tudo acepipes dos que eles mais adoram.
 
A coisa é de tal ordem que o número de Patus Bravus nas estradas, em dia de chuva, chega a ser motivo de grandes engarrafamentos de bicicletas. Juntam-se ali para os lados do Monte dos Burgos e seguem de cruzamento em cruzamento, de rua em rua, de trilho em trilho, a impedir o normal fluxo de trânsito... muitas vezes, até aos terrenos acidentados de Valongo!
 
Infelizmente, talvez por efeito da crise que por aí alastra, os Patus Bravus têm emigrado para outras bandas, à procura de outras e melhores vidas ou, quiçá, de melhores meteorologias, com mais intempérie ainda... Assim, para os poucos que restam, os ditados populares, autênticos mandamentos Patus, têm vido progressivamente a mudar... antigamente era:

Mas agora é:

É claro que há sempre um pequeno número que vai à luta, nem que seja a gastar o alcatrão... vão ao Freixo e à Foz do Sousa, sem saberem se há mais água no Douro ou no ar; dão-lhe a valer para subir à terra que te usa o nome e onde se diz que é da Cova; fazem uns trilhos pelas bandas de Couce, correndo até riscos de afogamento em lama; sobem estradas inclinadas, quais rios ou cachoeiras, até Altos que nem os de Valongo... e vê, enfim, que fazem ainda mais sacrifícios, como parar em tascas de duvidosa afluência, para comer figos secos e beber, oh sacrilégio, vasos de pecaminosa jeropiga!
 
Mas esses são poucos, sofrem vulgarmente de empenos e padecem de vetusta idade... são Ximbrões, nem sempre dotados de Vigor e Empen(h)o, riem-se e divertem-se demais uns com os outros, gozam demasiado nas suas saídas pedalantes... mesmo quando chove. Uns pecadores, dirias tu na tua sábia razão!
 
Caru S. Pedru, tu que és santu, que tens a grande chave e que dás ordens aos senhores que fazem as previsões do tempo, tem pena deste numeroso grupo de Patus Bravus e acaba lá com a crise, a ver se eles regressam e voltam para os encontros Dominicais. Dá-lhes o mau tempo que eles querem... ou eles nunca mais conseguirão fazer os treinos que as Maratonas que se avizinham exigem... que pena!
 
Olha, e com chuva ou sem chuva, desculpa lá este teu servo que se despede com um... adeus e até ao próximo empeno,

A. Augusto de Sousa


A. Augusto de Sousa